Sam Tiago, nom Santiago

Cando o galego passou a ser a língua própria da Galiza(ou seja, de forma oficial; reconhecido polas autoridades), lá pola década dos 1980, tamém se corrigírom vários topônimos (que foram castelanizados dende a Idade Média). No entanto, isto se fez seguindo a normativa oficial da Real Academia Galega (RAG). Por isso, no reintegracionismo se propõe a finalizaçom disse proceso, adaptando os topônimos à grafia istórica do galego. Por exemplo: Vila Franca do Berzo, Sam Cristovo de Ceia, Ponte Areias, Pontes, Manhom, Somoças, Parada do Sil, Vimianço, Ponte Vedra, Riba d´Ávia…

Ò ser o reintegracionismo um movimento nom oficial e coas suas divergências internas, tampouco á consenso de cal deveria ser a denominaçom enxebre dalgũas zonas. Oje apresentarei duas dilas: Sam Tiago e a Crunha.

catedralO nome atual de Santiago vém da junçom de Sam Tiago (ou San Tiago). Á moitos nomes galegos na onra de santos, peró separados: Sam Pedro, Sam Cristovo, Santo André, Santa Maria, Sam Joám, Sam Martinho… É verdade que, atualmente, á moitos caras que se chamam Santiago ou Santi. Inda assim, isso é devido ò castelão (ò igual que á tipos que se chamam John, devido ò ingrês; obviamente). Nom á nengum logar ou pessoa que se chame Sanpedro ou Sanjoám. Polo tanto, por ũa questom de lógica, a nossa capital deve denominar-se Sam Tiago de Compostela.

A Crunha é o nome genuíno dista província e cidade no galego. A opçom usada pola RAG (Coruña) é um castelanismo é ũa forma imprópria no galego. Isto é devido òs seguintes fatores: Primeiro, a Crunha é a forma maioritária empregada na Idade Média; época do esprendor da nossa língua na Galiza e única na que o castelão mal interveio. Segundo, isse “Co-” é ũa epêntese castelã, nom caraterística do galego (ou seja, é um castelanismo). E, terceiro, o étimo supõe-se que é Clunia. Seguindo a evoluçom do galego, Clunia passou a Crunia e posteriormente a Crunha. Nom vejo que a sílaba “Co-” do início esteja por algures, salvo que fosse introduzida polos castelãos pra que lhes fosse máis doada a sua pronúncia.

Ligações:

Resoluções técnicas sobre toponímia da Comissom Linguística da AGAL na sua reuniom o 31 de maio do 2003

Resoluções em matéria de toponímia galega adotadas pola Comissom Linguística da AGAL na sua reuniom do 24 de janeiro do 2004

http://pgl.gal/por-que-a-crtvg-castelhaniza-toponimia-galega-o-caso-das-comarcas-estremeiras-galego-falantes/

http://www.cutudc.com/pasquin/n225/lingua.html

http://www.estudioshistoricos.com/wp-content/uploads/2014/10/fmt_01.pdf

Cal é denominaçom correta da nossa língua? Galego? Português? Brasileiro?

galeguiaDepende. Realmente, cal é o critério pra decidir como se tem de chamar ũa língua?

Se basearmo-nos em que línguas se devem chamar fazendo onra ò logar no que nacérom, nisse caso a denominaçom ajeitada é galego; já que a língua naceu na Galiza (ũa Galiza que abrangia tamém o norte de Portugal, mais iste país inda nom existia). Se acharmos que os idiomas se devem nomear na onra de quem fez máis esforços por espalhá-la, entom a designaçom adequada seria português; porque foi Portugal quem levou a língua polo adiante coas grandes navegações de finais do século XV e do século XVI. Se o máis correto for que a língua se denomine co gentílico do país que possui máis falantes, entom nom á dultança de que se teria de chamar brasileiro. E se acreditarmos em que se pode denominar co gentílico dum logar em que, simplesmente, seja falada de forma maioritária; nisse caso pode-se-lhe chamar macaense, portenho, lisboeta, ancarense, mato-grossense, vianense, luandês...

Pessoalmente, prefiro a denominaçom “galego”; já que acho que o melhor é chamar às línguas respeitando o sítio no que nacérom. Por isso, tamém uso “castelão” e nom “espanhol”; por exemplo. Ò final; tu chamas-te igual ca cando naceche, né?

Mais, como vedes, calquer argumentaçom é válida. Escolhede a que quigerdes.

Faca

facaA forma correta de denominar o objeto da imagem, no galego, é faca. Coitelo é um castelanismo.

Os outros utensílios utilizados durante as refeições som o garfo e a colher. Tenedor e cuchara som as formas utilizadas no castelão, peró no galego temos as nossas.

Dudar

cartos chovendoNo galego, existe o verdo dudar.; sim. Significa “conseguir bastante dinheiro”. É utilizado, principalmente, em Moçambique.

Nom confundir iste verbo enxebre co castelão “dudar”. Nisse caso, no galego devemos utilizar “dultar” ou “duvidar”.

Chocalho

ChocalhoA forma de referir-se ò objeto que se põe no pescoço a algũus animais, e caraterístico dalgũas zonas de montanha coma os Alpes suíços, é “chocalho“. Polo tanto, ista deve ser a forma empregada e desterrarmos definitivamente o castelanismo “cencerro“.

Hino d´Acción Gallega

Irmãos! Irmãos galegos!
Dende Ortegal ò Minho
a folha do foucinho
façamos rebrilar!

Que veja a vila podre,
coveira da canalha,
à aldeia que trabalha
disposta pra loitar.

Antes de sermos escravos,
irmãos, irmãos galegos!
que corra o sangue a regos
dende a montanha ò mar.

Ergamo-nos sem medo!
Que o lume da tojeira
envolva na fogueira
o paço senhorial!

Já o fato de caciques,
ladrões e ereges, fuge
ò redentor empuxe
da alma regional.

Antes de sermos escravos,
irmãos, irmãos galegos!
que corra o sangue a regos
dende a montanha ò val.

Ramom Cabanilhas, Vento mareiro, 1915

Cardápio

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“Menu” é um galicismo e, coma a maioria das palavras, tem moitas aceções. Algũas necessárias (coma o significado informática) e outras prescindíveis. Iste é o caso da aceçom de “lista de pratos disponhíveis pra escolha de refeiçom”. No galego temos dous termos que podemos usar pra evitar espalhar isse galicismo a campos u nom se necessita da sua presença. Nós podemos usar ementa ou cardápio. Tamém temos outras opções como podem ser lista, sumário, resumo… mais istas já som menos específicas.

Se apanharmos o dicionário da Porto Editora, podemos ver que “ementa” é ũa derivaçom regressiva de “ementar”. Pola sua parte, “ementar” vém de “em- + mente + -ar” (ponher na mente, lembrar).

A segunda opçom, e a minha preferida, é “cardápio”. Porque é a minha preferida? Porque “cardápio” apenas tem um significado e é o de “relaçom de pratos dũa refeiçom”. Ò contrário de “ementa”, que tem mais aceções, “cardápio” apenas pode designar o objeto da foto (ou semelhante).
Iste vocábulo vém do latim “charta- (papel) + dape- (iguaria, manjar, refeiçom) + -io“. Máis claro, nom pode ser.

PD: Sim, no galego di-se “petisco”, de “petiscar”. “Pincho”, com isse sentido, é um castelanismo.