Menos “pueblos” e máis briões

combarro-pueblo-galicia--644x362Pueblo” é um castelanismo moi estendido e que nom se pode, como algũus fam, substituir-se por “povo”; pois ista verba significa outra cousa. Usar “povo”, com isse sentido, tamém é um castelanismo. Mais si que podemos usar briga, brigância ou briom. Todas ilas som palavras erdadas do idioma celta que falavam os galaicos antes da chegada dos romãos.

Polo tanto, as estruturas populacionais; dependendo do seu tamanho, podem classificar-se em: aldeia, briom, vila e cidade.

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Cacete

guardiacivil_19458_1Ista é ũa “arma” bastante popular ultimamente na Catalunya. Desgraçadamente, mesmo em meios reintegracionistas, vejo que se referem a iste objeto como “porra“. Ista palavra está correta, mais coincide co castelão, e nós temos vários sinônimos pra evitá-lo: cacete, moca ou cacheira.

E, em vez d´usarmos “porrazo” (ou porrada), podemos usar cacetada ou mocada.

E tomara os catalães nom tenham d´aturar máis cacetadas.

Muié

Muié (plural, muiés) é ũa variante de mulher (plural, mulheres). As duas formas evoluírom do latim muliere, mais de diferente jeito.

Muliere perdeu o -e final passando a mulier. A partir dacô, á dous caminhos diferentes:

No primeiro, isse -li- passou -lh-; originando a forma “mulher“. Iste processo tamém ocorreu noutras palavras, como em “umilhar” (do latim humiliare). Peró nista verba existe a variante “umiliar”, porém, nom existe a forma mulier.

No segundo caminho ocorreu um fenômeno moi abitual na nossa língua, a perda dos -n- e -l- intervocálicos.  Polo tanto, isse mulier evoluiu a muier. Logo isse -r final cairia, formando muié.

Fraseologia castelã – galega

Legenda: castelão (cor vermelha) e galego (cor azul)


Me pareció adecuado = Achei por bem
En principio = À partida
Hay que darse por vencido = Á que roer o chito
A continuación = A seguir
Había algo extraño = Avia calquer cousa d´errado
Bajarse los pantalones = Baixar as calças
Pegaron al niño = Batérom na criança
Menos mal = Bem deitar/inda bem
Caerse en la calle = Cair na rua
Ciento y pico = Cento e tal
A pedir de boca = Coma embude a boca de jerro
Contar con los dedos de una mano = Contar polos dedos dũa mão
De memoria = De cor
Tirar la casa por la ventana = Deitar dinheiro pola janela fóra
Echar a correr = Desatar a correr
Pegar (el cuerpo) a la pared = Encostar (o corpo) à parede
Estar harto = Estar cheio
Lo lleva en la sangre = Está-lhe no sangue
Hacer las delicias de grandes y pequeños = Fazer as delícias de graúdos e miúdos
Hacer la vista gorda = Fazer a vista grossa
Hacer memoria = Fazer mentes
Hacer una jugada (a alguien) = Ferrar ũa má partida
Burlar la vigilancia = Iludir a vigiância
Esto lo va a petar = Isto vai bombar moito
Leer de corrido sin apenas atrancos = Ler fluentemente case sem embaraço
Leer por encima = Ler pola rama
Pero no fue hasta los 18 que = Mais só òs 18 é que
Burlarse (de alguien) = Manducar a boroa (a alguém)
Matar dos pájaros de un tiro = Matar dous coelhos dũa cajadada/matar dous coelhos dũa pedrada
Mal futuro los aguardaba = Mau futuro os esperava
Morderse la lengua = Morder a língua
No salió como quería = Nom correu como pretendia
No tengo la más remota idea = Nom faço a máis pálida ideia
No llevarse bien = Nom fazer cinzas
No le quedó más remedio que = Nom teve outro remédio senom
Por no hablar de = Pra nom falar de
Quitarle hierro al asunto = Ponher auga na fervura
Totalmente equivocado = Redondamente enganado
Sacar de mis/tus/sus… casillas = Sacar de cacho/Sacar dos meus/teus/seus… truminhos
Lío de faldas = Sarilho de saias
Ser la polla = Ser do caralho/ser do caraças/ser foda/ser porreiro
Ser fiel a ti mismo = Ser fiel a ti próprio
Ser pan comido = Ser porta de tarabelo
Ser un auténtico asco = Ser um valente nojo
Tener intención de = Ter mentes de
Sacar provecho = Tirar bicada/sacar bicada
Cogerle el gusto = Tomar-lhe o gosto

https://disqus.com/by/ricardgil/

http://praza.gal/opinion/3818/o-reintegracionismo-e-o-lpovor/

https://estensiondogalego.wordpress.com/2016/11/01/expresions-enxebres/

Sam Tiago, nom Santiago

Cando o galego passou a ser a língua própria da Galiza (ou seja, de forma oficial; reconhecido polas autoridades), lá pola década dos 1980, tamém se corrigírom vários topônimos (que foram castelanizados dende a Idade Média). No entanto, isto se fez seguindo a normativa oficial da Real Academia Galega (RAG). Por isso, no reintegracionismo se propõe a finalizaçom disse proceso, adaptando os topônimos à grafia istórica do galego. Por exemplo: Vila Franca do Berzo, Sam Cristovo de Ceia, Ponte Areias, Pontes, Manhom, Somoças, Parada do Sil, Vimianço, Ponte Vedra, Riba d´Ávia…

Ò ser o reintegracionismo um movimento nom oficial e coas suas divergências internas, tampouco á consenso de cal deveria ser a denominaçom enxebre dalgũas zonas. Oje apresentarei duas dilas: Sam Tiago e a Crunha.

catedralO nome atual de Santiago vém da junçom de Sam Tiago (ou San Tiago). Á moitos nomes galegos na onra de santos, peró separados: Sam Pedro, Sam Cristovo, Santo André, Santa Maria, Sam Joám, Sam Martinho… É verdade que, atualmente, á moitos caras que se chamam Santiago ou Santi. Inda assim, isso é devido ò castelão (ò igual que á tipos que se chamam John, devido ò ingrês; obviamente). Nom á nengum logar ou pessoa que se chame Sanpedro ou Sanjoám. Polo tanto, por ũa questom de lógica, a nossa capital deve denominar-se Sam Tiago de Compostela.

A Crunha é o nome genuíno dista província e cidade no galego. A opçom usada pola RAG (Coruña) é um castelanismo e ũa forma imprópria no galego. Isto é devido òs seguintes fatores: Primeiro, a Crunha é a forma maioritária empregada na Idade Média; época do esprendor da nossa língua na Galiza e única na que o castelão mal interveio. Segundo, isse “Co-” é ũa epêntese castelã, nom caraterística do galego (ou seja, é um castelanismo). E, terceiro, o étimo supõe-se que é Clunia. Seguindo a evoluçom do galego, Clunia passou a Crunia e posteriormente a Crunha. Nom vejo que a sílaba “Co-” do início esteja por algures, salvo que fosse introduzida polos castelãos pra que lhes fosse máis doada a sua pronúncia.

Ligações:

Resoluções técnicas sobre toponímia da Comissom Linguística da AGAL na sua reuniom o 31 de maio do 2003

Resoluções em matéria de toponímia galega adotadas pola Comissom Linguística da AGAL na sua reuniom do 24 de janeiro do 2004

http://pgl.gal/por-que-a-crtvg-castelhaniza-toponimia-galega-o-caso-das-comarcas-estremeiras-galego-falantes/

http://www.cutudc.com/pasquin/n225/lingua.html

http://www.estudioshistoricos.com/wp-content/uploads/2014/10/fmt_01.pdf

Cal é denominaçom correta da nossa língua? Galego? Português? Brasileiro?

galeguiaDepende. Realmente, cal é o critério pra decidir como se tem de chamar ũa língua?

Se basearmo-nos em que línguas se devem chamar fazendo onra ò logar no que nacérom, nisse caso a denominaçom ajeitada é galego; já que a língua naceu na Galiza (ũa Galiza que abrangia tamém o norte de Portugal, mais iste país inda nom existia). Se acharmos que os idiomas se devem nomear na onra de quem fez máis esforços por espalhá-la, entom a designaçom adequada seria português; porque foi Portugal quem levou a língua polo mundo adiante coas grandes navegações de finais do século XV e do século XVI. Se o máis correto for que a língua se denomine co gentílico do país que possui máis falantes, entom nom á dultança de que se teria de chamar brasileiro. E se acreditarmos em que se pode denominar co gentílico dum logar em que, simplesmente, seja falada de forma maioritária; nisse caso pode-se-lhe chamar macaense, portenho, lisboeta, ancarense, mato-grossense, vianense, luandês...

Pessoalmente, prefiro a denominaçom “galego”; já que acho que o melhor é chamar às línguas respeitando o sítio no que nacérom. Por isso, tamém uso “castelão” e nom “espanhol”; por exemplo. Ò final; tu chamas-te igual ca cando naceche, né?

Mais, como vedes, calquer argumentaçom é válida. Escolhede a que quigerdes.

Faca

facaA forma correta de denominar o objeto da image, no galego, é faca. Coitelo é um castelanismo.

Os outros utensílios utilizados durante as refeições som o garfo e a colher. Tenedor e cuchara som as formas utilizadas no castelão, peró no galego temos as nossas.