Chocalho

ChocalhoA forma de referir-se ò objeto que se põe no pescoço a algũus animais, e caraterístico dalgũas zonas de montanha coma os Alpes suíços, é “chocalho“. Polo tanto, ista deve ser a forma empregada e desterrarmos definitivamente o castelanismo “cencerro“.

Cardápio

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“Menu” é um galicismo e, coma a maioria das palavras, tem moitas aceções. Algũas necessárias (coma o significado informática) e outras prescindíveis. Iste é o caso da aceçom de “lista de pratos disponhíveis pra escolha de refeiçom”. No galego temos dous termos que podemos usar pra evitar espalhar isse galicismo a campos u nom se necessita da sua presença. Nós podemos usar ementa ou cardápio. Tamém temos outras opções como podem ser lista, sumário, resumo… mais istas já som menos específicas.

Se apanharmos o dicionário da Porto Editora, podemos ver que “ementa” é ũa derivaçom regressiva de “ementar”. Pola sua parte, “ementar” vém de “em- + mente + -ar” (ponher na mente, lembrar).

A segunda opçom, e a minha preferida, é “cardápio”. Porque é a minha preferida? Porque “cardápio” apenas tem um significado e é o de “relaçom de pratos dũa refeiçom”. Ò contrário de “ementa”, que tem mais aceções, “cardápio” apenas pode designar o objeto da foto (ou semelhante).
Iste vocábulo vém do latim “charta- (papel) + dape- (iguaria, manjar, refeiçom) + -io“. Máis claro, nom pode ser.

PD: Sim, no galego di-se “petisco”, de “petiscar”. “Pincho”, com isse sentido, é um castelanismo.

Geadeira e frigorífico

Geadeira e frigorífico som as denominações corretas pra referir-se ao aparelho eletrodoméstico em que se conservam frescos os produtos alimentares.

Neveira é ũa forma moi espalhada pola Galiza, mais nom passa dũa adaptaçom do castelão nevera. Além de ser ũa forma que nom fai sentido. Ista forma vém de “neve + -eira”. Mais niste eletrodoméstico nom á nada de neve.

Geladeira vém de “gelo + -eira”, e é ũa forma moi utilizada no Brasil. Ista versom si que tem coerência, já que si que á geio niste aparelho. No entanto, na Galiza usamos geio e geado; polo que a forma mais indicada teria de ser geadeira (geio + -eira).

Frigorífico veio do latim frigorificus. É dizer, que é um aparelho no que vai frio. Ista é a melhor verba pra definir este eletrodoméstico, dende o meu ponto de vista. Ista palavra é moi usada em Portugal.

Possíveis traduções pra “hambruna”

Se no dicionário da Porta Editora digitármolo termo “hambruna“, trará como traduçom “fome”. O problema é que traduzilo como “fame”… Traduzir “una de las mayores hambrunas de la historia” por “ũa das maiores fames da istória”… nom me acaba de cadrar.
Mais podemos recorrer a ũa das variantes da nossa língua pra solucionármolo problema. Neste caso, a angolã. Como traduçom do castelão “hambruna“, podemos empregar “zala“. Polo tanto, ũa traduçom mais correta da frase anterior seria “ũa das maiores zalas da istória”.

Uso do acento circunflexo sobre o “a”

“Como empregar os acentos ´ e ^ para a letra ‘a’ se se “supom” que no galego nom existe diferença de apertura?”

Correto, na Galiza nom existe diferença d´apertura nos “a”. Mais tampouco á diferença antre o “b” e o “v”, fenômeno que tamém ocorre no norte de Portugal. E, ainda assim, nom usam “b” pra tudo, né?
Embora na Galiza nom diferencemos o “b” do v” nem o “a” aberto do “a” pechado, nũa pronúncia culta, si que o deveríamos fazer. Por isso, vou proponher algũas dicas verbo do seu uso.

O acento circunflexo emprega-se nos casos seguintes:

  • Nas palavras que vam sucedidas por um “m”, “n” ou polo digrama “nh”: ângulo, lâmpada, dinâmico, sonâmbulo, ânimo, âmbito, câmbio, cânhamo, tarântula, cânone, Islândia, Atlântico…
  • Nas palavras rematadas em -ância (estám incluídas nas palavras que vam sucedidas por um “n”): distância, militância, importância, ambulância, ignorância, repugnância…
  • Em “â”, sinônimo de “asa”. Niste caso, é um diacrítico.

Nos demais casos, o “a” sempre leva acento agudo. Bardante na contraçom “a+a” (à) e “a+aquele” (àquele) e os seus plurais; nas que se emprega o acento grave (que é utilizado como acento indicador de crase).

Como usalo futuro do conjuntivo?

Pois bem: usa-se cando temos em vista ũa situaçom… futura. Assim, por exemplo:

“Cando for a Braga, aviso-te”.
“Se tiveres tempo, escreve ao teu pai”.
“Podem vir sempre que quigerem” [substituível por “sempre que queiram”].
“Enquanto ouver dinheiro, conta comigo”.

Na realidade, iste modo verbal é case sempre introduzido polas conjunções cando, se, mentres e enquanto (= ‘mientras‘, e nom ‘en cuanto‘).

Ao verter pro castelão, usa-se o presente do conjuntivo (“cuando vaya“, “mientras haya“) ou do indicativo (“si tienes“).

[Artigo baseado nũus comentários que fez o linguista português Fernando Venâncio no artigo Ecce Lingua, publicado polo Heitor Rodal Lopes no Portal da Língua Galega (PGL)]